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Zumbido no ouvido é terceiro pior problema de saúde, aponta pesquisa

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Zumbido é a causa mais comum e vem de alterações do próprio sistema auditivo; tratamento inclui acompanhamento conjunto de diferentes especialidades médicas.

O zumbido é considerado o terceiro pior – no sentido de debilitante – problema que pode acometer o ser humano, atrás apenas da dor e de tonturas intensas e intratáveis, segundo pesquisa realizada pela Public Health Agency of America. Todas as demais doenças, como câncer, paralisias, cegueira e surdez, aparecem posteriormente na lista. Sendo assim, o zumbido é, muitas vezes, um problema que impede a vida normal e, em alguns casos, pode levar as pessoas a tomarem atitudes drásticas para tentar minimizar o incômodo.

De acordo com o otorrinolaringologista Dr. Rafael Monsanto, o zumbido pode ter diversas causas e, por isto, o tratamento costuma incluir acompanhamento conjunto de várias especialidades médicas, englobando, além do otorrinolaringologista, também o cardiologista, o neurologista, o psicólogo e o fonoaudiólogo.  “Como, na maioria dos pacientes, as causas não ocorrem de forma isolada – é possível que diversas alterações estejam presentes na mesma pessoa – o diagnóstico do zumbido é um desafio e demanda investigação criteriosa por um profissional habilitado”, relata o especialista.

A causa mais comum vem de alterações do próprio sistema auditivo, podendo aparecer após infecções de ouvido (otites), envelhecimento (presbiacusia) ou decorrente de exposição a ruídos intensos por tempo prolongado. O segundo agente mais frequente são os problemas cardiovasculares, que incluem a pressão alta, seguidos das alterações do metabolismo, diabetes, distúrbios do colesterol e do funcionamento da glândula tireoide. Outras razões ainda incluem traumatismos cranianos, doenças neurológicas, meningites, malformações de vasos sanguíneos, uso de medicamentos (aspirina, anti-inflamatórios, alguns antibióticos e antidepressivos), alterações musculares (principalmente da coluna cervical), distúrbios da articulação da mandíbula (articulação temporomandibular) e as causas de fundo psicológico.

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O aposentado Nelson Santos, de 87 anos, sofre com zumbido nos ouvidos há algum tempo. “A ‘batida’ começou lentamente, como uma bomba de sucção, mas a gente acaba se acostumando com o tempo”, lembra. Segundo ele, após o tratamento e o uso de aparelho auditivo específico, o barulho sumiu quase que completamente. Santos acredita que uma das causas do problema é o fato de ter trabalhado por 29 anos em uma usina. “Tenho colegas que trabalharam comigo e também se queixam de zumbido”, afirma.

O médico explica que, como as causas do zumbido são diversas, o diagnóstico pode ser desafiador. “São necessários exames complementares para o diagnóstico preciso, visando principalmente a identificação de fatores predisponentes ou de piora. Um dos exames mais importantes, com essa finalidade, é a audiometria, utilizado para avaliar objetivamente a audição ”, diz Dr. Rafael.

O exame da audição é primordial, mesmo em pacientes sem queixas de problemas de audição, uma vez que podem existir alterações em algumas frequências que não são percebidas pela pessoa, mas que resultam no zumbido. Em algumas situações específicas, outros exames de avaliação da audição podem ser utilizados, incluindo a audiometria de altas frequências, a acufenometria, emissões otoacústicas e o potencial evocado auditivo de tronco encefálico (PEATE),explica Dra. Vanessa Gardini.

Além da avaliação da audição, é essencial a realização de exames laboratoriais para checagem do metabolismo, dado que alterações do colesterol, do açúcar no sangue, da tireoide e de algumas vitaminas podem ocasionar, ou aumentar, o zumbido. Em alguns casos específicos podem ser solicitados exames de imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética, pedidos quando há necessidade de investigação complementar.

Terapia revolucionária trata o zumbido

Uma nova terapia, conhecida como Notch, promete combater o zumbido no ouvido, enfrentado por tantas pessoas ao longo da vida. A técnica utiliza-se de aparelhos auditivos de última geração, que são programados para cancelar a frequência do som idêntica à do zumbido. “O zumbido compromete a qualidade de vida das pessoas. Dependendo da gravidade, pode provocar depressão, dificultar o sono e, até mesmo, trazer prejuízos profissionais e isolamento social”, pontua Dra. Vanessa Gardini, fonoaudióloga da Pró-Ouvir Aparelhos Auditivos. “Com a nova tecnologia exclusiva, temos em mãos mais uma ferramenta, trazendo uma nova perspectiva ao tratamento desse mal”, destaca.

A terapia Notch foi concebida a partir de pesquisas anteriores realizadas com pessoas que sofriam com zumbido Divididos em dois grupos, os participantes deveriam escolher a música de sua preferência. Depois, o som era editado digitalmente e a frequência correspondente ao zumbido que cada um ouvia era retirada. Na etapa seguinte, um dos grupos deveria ouvir a música alterada digitalmente diariamente. O outro recebia a música sem nenhuma alteração, para realizar o mesmo procedimento diário. No entanto, nenhum dos participantes sabia sobre a alteração na melodia.

“Após o término do período de experiência, os participantes passaram por reavaliações e foi revelado que o grupo que ouviu a música alterada apresentou grande melhora na percepção do zumbido”, ressalta a fonoaudióloga da Pró-Ouvir. Com isso, o resultado desses estudos deu origem ao desenvolvimento de uma nova geração de aparelhos auditivos, que aplica a mesma situação da pesquisa no dia a dia de quem o utiliza.  “A terapia Notch foi criada para induzir alterações neurais no sistema auditivo com a finalidade de reduzir a intensidade do zumbido, diminuindo a hiperatividade neural, fortalecendo as redes inibitórias enfraquecidas  na faixa de frequência do zumbido do indivíduo” explica Dra. Vanessa.

 Há 16 anos, a farmacêutica Aline de Lima Teles, de 37 anos, se queixa de zumbido no ouvido. “Começou com um barulho e, de repente, eu estava com dificuldade de entender o que as pessoas falavam. Comecei a ter problema no trabalho, já que mantenho contato com o público”, lembra. Após vencer o medo e o preconceito, Aline decidiu procurar ajuda médica e há, aproximadamente, um ano faz uso de aparelho auditivo. “Minha vida mudou completamente após o tratamento e, com a terapia Notch, vi uma melhora muito grande”, revela.  “Somos preconceituosos com nós mesmos, mas acredito que vale a pena encarar o problema e não ter medo para ser bem mais feliz”, completa Aline.

Fonte: QNotícia

Hannalee Motta

hanna@optimus360.com

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