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O vinho e seus dialetos – Revista AMAIS

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O vinho e seus dialetos:

Eu me considero uma enoviajante, se me permitem o uso desta palavra. Para mim é impossível viajar para qualquer lugar do mundo e não visitar, pelo menos uma região vinícola. Na verdade, nem planejo viajar, se não tiver vinho na pauta, ou melhor, no roteiro. E é claro que quando viajamos para qualquer lugar, mesmo que seja em nosso próprio país, sempre nos depararmos com muitas expressões, dialetos e terminologias regionais e em outros idiomas. Esse aprendizado é um dos grandes motivadores de viagem, além de dar um charme todo especial, também é muito romântico.

Eu te aconselho a fazer uma pequena pesquisa sobre o país e principalmente sobre os locais por onde você irá passar. É muito fácil fazer isso pela internet e você já chegará sabendo o que e onde procurar. Eu evito conselho dos guias, pois muitas vezes eles só nos levam a vinícolas que lhes pagam comissão. Outro conselho útil, principalmente se você for para a Europa, vinho europeu se pede por região, não por uva como se faz nos países do novo mundo.

Então vamos começar pelos franceses. Sabemos que as uvas Cabernet Sauvignon, Merlot, Tannat, Malbec, Petit Verdot são originárias da Região de Bordeaux, a Sauvignon Blanc se desenvolve bem no Vale do Loire, já Pinot Noir e Chardonnay são ícones da Borgonha. Entendeu, elas são francesas, mas você não verá o nome das uvas nos rótulos, somente os da região. Acredito que você meu enoleitor já aprendeu algumas dessas informações em meus artigos anteriores. 

Não vai adiantar fazer o biquinho francês para pronunciar os nomes, e para degustar os vinhos se não souber pedir ou o que está pedindo. Você pode até querer investir uns bons euros em uma garrafa de Châteauneuf-du-Pape, mas não se atreva a perguntar ao garçom quais são as uvas que compõem este vinho, pois ele é uma assemblage de pelo menos 30 uvas do sul da França. E o Pouilly-Fussé é um branco feito com chardonnay e no sul da Borgonha e o Pouilly-Fumé é um vinho branco com um toque defumado, elaborado com a uva Sauvignon Blanc no Vale do Loire.

Mudando de país, chegamos a Itália. Lá você como eu se sentirá em casa, o glamour francês desaparece e os italianos com seus adoráveis excessos na fala e nos gestos, nos fazem sentir em casa. Seus vinhos são mais palatáveis ao gosto brasileiro e carregam alguns nomes fáceis e mais gostosos de se pronunciar, para alguns dos vinhos mais gostosos de se degustar: Montepulciano d’Abruzzo, produzido com a uva Montepulciano, Brunello di Montalcino, produzido na Toscana com a uva Sanggiovese, Prosecco di Valdobbiadene, produzido com a uva Prosecco e recentemente denominada Glera, Primitivo di Manduria, elaborado com a uva Primitivo. E o famoso Valpolicella produzido com as uvas italianas, como Corvina, Rondinella, Molinara.

Os vinhos alemães, apesar de serem originários de um país de temperatura baixas, na grande parte do ano, produzem na maioria vinhos brancos, pois a uva tinta tem dificuldade em amadurecer devido a pouca insolação. As nomenclaturas e as pronuncias são certamente mais difíceis.

Veja algumas: 

Trocken/Selection: são os vinhos secos, com menos de 9 g/l de açúcar residual;

Qualitätswein (QbA): são vinhos de origem controlada e provenientes de uma das 13 regiões vinícolas autorizadas (anbaugebieten).

Auslese – significa “colheita selecionada”.

Beerenauslese (BA) – significa “colheita selecionada de bagos”.

Trockenbeerenauslese (TBA) – são os mais raros e especiais vinhos doces de “colheita selecionada de bagos secos”.

Eiswein – são os Icewines, “vinhos do gelo”, produzidos com uvas congeladas. Certamente estão entre os povos que mais nos desafiam a entender e a falar termos relacionados ao vinho. A começar pela uva de maior produção na Alemanha, a Gewürztraminer, que deve ser dita como “gue-vurz-tra-mi-ner”.

Não posso me esquecer do famoso e atualmente mal falado Liebfraumilch, nome difícil que quer dizer “leite materno”, para um estilo de vinho simples e doce que ficou parado no tempo, mas foi o grande herói no início da década de 1990, com a abertura das importações, despertou o paladar brasileiro para os vinhos importados.

Os espanhóis, pela proximidade do idioma, nos levam a bons enganos, típicos do famoso portunhol. Rioja não se pronuncia com J. Rioja se diz “Riorra”, região que produz vinhos potentes e com grandes personalidades. Jerez se diz “Rerez”, um vinho de característica única, só encontrado na Espanha, vai do branco extremante seco ao Palomino, extremamente doce. Também tem o Cava, o espumante mais próximo aos produzidos na região de Champagne, este será amplamente encontrado na região da Catalunha, nos arredores de Barcelona.

Ao chegarmos a Portugal o sotaque fica divertido, mas os vinhos continuam com sotaque estrangeiro.  Num dia quente divirta-se tomando um vinho Verde, que na verdade é um branco produzido no norte do País. Lembre-se que o vinho do Porto é produzido no douro e é um vinho fortificado, não deve ser tomado para acompanhar refeições, ele é aperitivo ou digestivo. Divirta-se, falando nos vinhos de Trás-os-Montes, com a mesma simpatia que os lusitanos pronunciam esse nome…

Os Americanos do Sul ou do Norte, os sul africanos, os australianos, enfim, os habitantes do novo mundo, se identificaram tanto com Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec, Tannat, Syrah, Chardonnay, Sauvignon Blanc e etc. que são capazes de produzir vinhos bons e até muito bons a partir dessas uvas, que dispensa facilitadores dialéticos, pois todas estão identificadas nos rótulos, ao bom estilo do Novo Mundo.

Gostou das dicas. e então mãos na mala, boa viagem e ótimas degustações.

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Por Valéria Pilon
Sommelière e Coordenadora de Eventos / Salut – Sommelière Valéria Pilon / E-Mail

Hannalee Motta

hanna@optimus360.com

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