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Vamos falar sobre o Transtorno Afetivo Bipolar

Transtorno Afetivo Bipolar

Por Cintia Bertolucci – Psicóloga

É impressionante como atualmente se faz abusivamente e de forma indiscriminada o diagnóstico de transtorno afetivo bipolar (TAB) em adultos, talvez tanto quanto o de TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividadeTranstorno Afetivo Bipolar) em crianças. Apesar de banalizado pelo senso comum e por muitos profissionais, o transtorno afetivo bipolar é um quadro psicopatológico importante e complexo, que não se define apenas pela frequente oscilação de humor.

Para a psiquiatria existe 4 formas de manifestação, sendo: transtorno bipolar tipo I, tipo II, tipo misto e transtornos ciclotímicos, cada um com suas características específicas. Em alguns casos é comum a presença de sintomas psicóticos (ideias delirantes e alucinações) durante as crises de mania ou melancolia, e quando esses sintomas são persistentes e vinculados ao transtorno, recebe-se a denominação de transtorno esquizoafetivo.

O TB caracteriza-se por períodos de mania (humor eufórico, elevado e expansivo) que pode gerar prejuízo no trabalho e nas relações sociais (com duração de dias ou semanas) em alternância com períodos depressivos que podem durar semanas ou meses (tipo I) ou períodos de hipomania (humor elevado ou agressivo) menos grave e com menos prejuízos que a mania (tipo II).

No tipo misto pode ocorrer alternância entre a mania e a depressão num mesmo dia, em intervalo de horas; enquanto no transtorno ciclotímico existe uma alteração crônica (duradoura e persistente) de humor, porém não grave ou frequente o suficiente para o diagnóstico de depressão ou de mania.

As crises podem ser desencadeadas por conflitos ou situações objetivas, porém não se limitam a esses motivos, pois há estudos que enfatizam uma predisposição genética para a doença e, dessa forma, a presença de um desequilíbrio químico que determinaria as crises. Dentre os episódios encontram-se tipos de expressão variados de pessoa para pessoa, porém com um padrão específico na mesma pessoa. A duração dos episódios pode ser de semanas, meses ou anos.

A primeira crise é comum antes dos quarenta anos e afeta mais as mulheres do que os homens. Além disso, quadros maníacos podem ser induzidos por drogas (como a cocaína), antidepressivos ou doenças metabólicas, como o hipertireoidismo.

A melancolia se manifesta por tristeza profunda, sentimentos de perda e de vazio, limitação das atividades, desinteresse, sentimentos de inutilidade, culpa, auto-acusações, ideação suicida, etc. A mania se manifesta por uma excitação incontrolável, por sentimentos de bem estar, alegria, sensação de tudo poder, aceleração do pensamento e desorganização do discurso (que não acompanha a velocidade do pensamento), falta de apetite e de sono são também comuns, além de desinibição e comportamentos exagerados e inadequados durante a crise (é comum, por exemplo, a pessoa se vestir de forma extravagante e exagerar nas cores, nos acessórios e na maquiagem).

Outra característica comum na mania é a euforia pela aquisição de objetos que poderá levar a pessoa a comprar sem limite e se endividar, como forma de compensar a fase de melancolia que se caracteriza pelo sentimento de perda do objeto amado (semelhante ao luto), sentimento que não está associado a uma perda real.

Não existe exames que comprovem o transtorno bipolar, ele é avaliado clinicamente pelo psiquiatra, através do comportamento e dos sintomas apresentados. O tratamento geralmente é feito com um estabilizador de humor, além de antidepressivos. O paciente geralmente procura o tratamento nas fases depressivas, já que nas fases de humor normal ou de mania se sente muito bem e costuma parar com os medicamentos (por conta própria) por entender que não precisa mais da medicação.

O TAB por ser crônico exige um tratamento contínuo e preventivo para que o humor possa permanecer estável e as crises possam ser evitadas.

A psicoterapia é um recurso terapêutico imprescindível para que a pessoa possa se conhecer melhor e aprender a lidar com sua oscilação de humor, de forma mais consciente, com menos riscos, consequências negativas e sofrimento psicológico. Os familiares costumam apresentar bastante dificuldade em lidar com os portadores de transtorno bipolar, visto que essas alterações de humor não são simples como costumamos observar em pessoas que não possuem o problema (e que manifestam apenas um bom humor, irritação ou mesmo agressividade esporádicas).

No transtorno bipolar, a melancolia, a disforia, a total falta de crítica nos episódios de mania ou os sintomas psicóticos podem levar tais pessoas a comportamentos impulsivos, compulsivos, inconsequentes, autodestrutivos e culminar em tentativas de suicídio.

Há filmes que retratam essa realidade, “Mr Jones” e “ Correndo com tesouras”, são bons exemplos à quem tiver interesse.

 

Hannalee Motta

hannalee@optimus360.com

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