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Vinhos: In vino veritas – Revista AMAIS

In vino veritas

“In vino veritas”,  Esta frase em latim que significa “no vinho está a verdade”, utilizado como provérbio para expressar a sensação de “liberdade” provocada pelo álcool. A frase completa desta expressão latina é “in vino veritas, in aqua sanitas”, que significa “no vinho está a verdade, na água está a saúde”.

De acordo com a história, o provável autor deste provérbio para o latim seria o filosofo Caio Plínio Cecílio Segundo, mais conhecido por “Plínio, o Velho”. Com esta expressão, os antigos romanos queriam dizer que quando as pessoas que estão sob o efeito do vinho (álcool), perdem a vergonha e fazem com que as verdades possam ser reveladas.

Mas para descobrirmos a verdade que está no vinho, precisamos acabar com algumas mentiras criadas por falsos conhecedores da bebida de Baco.

Deve-se servir diferentes vinhos ao longo da refeição.

Mentira. Se você conhece bem as características do vinho que servirá, e elaborar o cardápio de acordo com as notas organolépticas do mesmo, você irá acertar mesmo servindo um único vinho, da entrada à sobremesa.

Vinho espumante só é bom quando jovem.

Mentira. Na verdade, bons Champanhes, de boas safras podem envelhecer por décadas, desde que armazenados corretamente, em locais frios, escuros e úmidos. Na sua região de origem as caves não ultrapassam os 10°C de temperatura. Esta bebida poderá perder parte de sua efervescência, mas ganhará complexidade o que o tornará muito mais interessante.

O ideal é comprar vinhos bem pontuados.

Mentira. Assim como você também não vai gostar de todas as categorias de livros, ou filmes, a maioria dos vinhos pontuados não agradam o paladar de enófilos menos experientes. A pontuação é um bom indicativo, mas analise se o tipo de vinho é do seu agrado. E lembre-se não existem vinhos pontuados que sejam de baixo custo. Se o vinho recebeu pontuação alta e está com preço muito baratos, isto pode significar que o vinho está em decadência e não tem mais nenhuma característica do vinho que fora pontuado, por exemplo, 10 anos atrás. Se tivesse ainda no seu auge, o preço jamais baixaria.

Somente os barris podem dar notas de carvalho ao vinho.

Mentira. O alto custo de um barril de carvalho francês ou carvalho americano, fez com que várias técnicas alternativas tenham sido desenvolvidas, na tentativa de alcançar o mesmo resultado de amadurecimento, só que em cubas de aço inoxidável. Muitas vinícolas do novo mundo, como o chile por exemplo, colocam lascas, chips e até pó de madeira para que o vinho possa parecer que passou por barricas.

Os vinhos nacionais são de qualidade inferior.

Mentira. Há vinhos brasileiros ótimos, bons e ruins. Assim como há vinhos ótimos, bons e ruins em qualquer país vitivinícola.  Pré-julgar um vinho, somente a partir de sua nacionalidade, é um grande erro.

Queijo e vinho tinto formam um casamento perfeito.

Mentira. Na verdade, a acidez dos vinhos brancos, ao estimular a nossa salivação, tende a diluir melhor a gordura presente nos queijos. O princípio, de fato, é: queijos mais leves, vinhos mais leves; queijos mais “ricos”, vinhos mais encorpados. E como a maioria dos queijos matem uma certa acidez, eles se tornam inimigos fatais dos vinhos tintos encorpados e com taninos vivos.

Um bom vinho não pode ter um aroma esquisito.

Mentira. Excelentes vinhos podem ter aroma de terra úmida, couro animal, suor, fumo queimado, aromas que lembrem gasolina e até xixi de gato. E os vinhos com estas complexidades de aromas, com certeza custarão mais caros.

O vinho de antigamente era melhor.

Mentira. O enólogo, hoje, tem um domínio muito maior sobre todas as etapas do processo, e a indústria como um todo está mais profissionalizada. Há menos pragas nos vinhedos, as uvas ficam mais tempo nas vinhas, sendo colhidas mais maduras do que eram no passado, e há perfeito controle de temperatura durante a fermentação nos tanques de aço inox, que por sua vez evitam qualquer contaminação por fungos ou excesso de oxigênio.

Vinho branco não é tão bom quanto vinho tinto.

Mentira. Na verdade, depende do vinho branco, assim como também do tinto. Um não é melhor nem mais sofisticado que o outro. São apenas diferentes e com característica e especificidades diferentes.

Vinho bom é vinho velho.

Mentira. Na verdade, existem vinhos jovens excepcionais, e velhos estragados. Depende. Até porque, a grande maioria dos vinhos nem é feita para envelhecer!

Rosés são vinhos de categoria inferior.

Mentira. Como os brancos e os tintos, os rosés também podem ser ótimos, bons e ruins.

Tampas de rosca só são utilizadas em vinhos inferiores.

Mentira. Na verdade, elas são usadas na maioria dos vinhos australianos e neozelandeses, sul africanos e já foi comprovada a sua superioridade, para grandes vinhos de guarda, pois a incidência de ar internamente é zero.

Para o vinho respirar, basta deixar a garrafa aberta.

Mentira. Para alguns, abrir a garrafa de vinho 1 ou 2 horas antes de servi-lo seria suficiente para beneficiá-lo com a exposição ao ar, substituindo a decantação. Mas precisamos considerar que mais de 90% dos vinhos não sobrevivem a este período de decantação. Eu prefiro abrir e tomar lentamente para aproveitar cada minuto da evolução e apreciar todas as suas melhorias.

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Valéria Pilon
Sommelière e Coordenadora de Eventos
Salut – Sommelière Valéria Pilon
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Hannalee Motta

hanna@optimus360.com

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