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Entrevista exclusiva com o ator Theodoro Cochrane

Theodoro Cochrane

O paulistano Theodoro Cochrane (40 anos), após laboratórios de interpretação com Dirce Helena Carvalho, cursou o CPT (Centro de Pesquisa Teatral) com Antunes Filho no SESC. Dois anos depois, foi aprovado na EAD (Escola de Arte Dramática- ECA/ USP), onde trabalhou como ator em montagens de Luiz Damasceno, Bete Dorgan, Cristiane Paoli Quito, Regina Galdino, André Garolli e Beth Lopes.

Estreou profissionalmente como Hamlet em Mal Secreto- A vida amorosa de Ofélia de Steven Berkoff, com direção de Beth Lopes. Fez filmes publicitários (campanhas para O Diário de São Paulo e 51 Ice) em 2002.

Participou dos longas metragens As Avassaladoras, de Mara Mourão, e Gregório de Mattos, de Ana Carolina, ambos de 2001, além do polêmico La Riña e do sensível Colegas de Marcelo Galvão. Fez também parte do elenco de Bruna Surfistinha, de Marcus Baldini.

Na televisão, foi o DJ Magrão no seriado Sandy e Júnior e participou das minisséries A Casa das Sete Mulheres, Um Só Coração e Amazônia. Fez ainda as novelas Essas Mulheres, A Favorita, Caras e Bocas, TiTiTi, Saramandaia e Geração Brasil.

Em 2017 participou da série inédita do canal Brasil “Toda forma de amor”, com direção de Bruno Barreto. Esse ano, de 2018, ainda pode ser visto como o Major Paixão, na série internacional da HBO, “The American Guest”, com direção também de Bruno Barreto.

Formado também em desenho industrial, Theodoro já trabalhou como figurinista em várias produções teatrais importantes como “Aquela Mulher” e “Escuro” e as óperas “Pagliacci” e “Cavalleria Rusticana”, que fez em Brasília e desenvolveu mais de 120 figurinos.

Foi indicado ao Prêmio Shell, na categoria Melhor Figurino, com o espetáculo “Como me tornei estúpido” e ganhou o prêmio Questão de Crítica com a peça “O Jardim”.

Em 2010 ganhou o Prêmio Shell, por Melhor Figurino, com o espetáculo “Escuro”.

Atualmente interpreta na novela “O Sétimo Guardião”, de Aguinaldo Silva, o misterioso Adamastor Crawford, braço-direito de Ondina (Ana Beatriz Nogueira), na administração da pousada e do bordel da fictícia cidade de Serro Azul. Adamastor não se assume gay, mas sabe que é diferente dos homens heterossexuais da cidade e sofre bullying dos vizinhos.

 

AMAIS: Séries, filmes, novelas… Theo, você consegue fazer um retrospecto dos seus trabalhos favoritos como ator?

Theodoro: Gosto de tantos… tenho um carinho especial por Pedro da Silva Santos de “A Casa das Sete Mulheres”, um herói farroupilha gaúcho que foi meu primeiro trabalho grande na TV que as pessoas lembram até hoje.

Também gosto muito do “bon vivant” Geraldo Duarte de “Essas Mulheres”, novela que está sendo reprisada agora! Na novela eu sofria muito por amar uma irmã… personagem denso e intenso.

O judeu chassídico Isaac de “Caras e Bocas” foi outro que amei fazer e me ensinou muito sobre a cultura judaica. Nosso núcleo foi coroado ao final da novela com uma viagem a Israel a convite do consulado israelense! A comunidade foi muito receptiva comigo.

Petronilio era o delegado do remake de “Saramandaia”, um homem extremamente rígido, assexuado e ímpar (além de divertido de fazer). A novela era linda, o elenco de primeira, a equipe maravilhosa.

Tenho de falar do meu grande papel para televisão até hoje (que venham outros!) o Adamastor Crawford. Personagem riquíssimo, cheio de camadas, meu encontro com Aguinaldo Silva, Rogério Gomes e tanta gente incrível. Não posso esquecer do prazer inenarrável que é fazer parceria pela quarta vez com minha atriz musa Ana Beatriz Nogueira.

AMAIS: Seu personagem Adamastor Crawford na novela “O Sétimo Guardião” não se assume gay, mas sabe que é diferente dos outros homens e ainda sofre bullying dos vizinhos. Adamastor vai conseguir se assumir? Qual a importância de retratar esse tipo de preconceito na novela das 21h na época em que vivemos?

Theodoro: É uma questão que me tem sido feita com frequência rsrs

Novela é uma obra aberta e tudo pode acontecer… a equipe do Aguinaldo Silva é muito discreta e até então não sei se isso irá se concretizar! Estou fazendo ele aberto a todas as possibilidades e adotando esse mistério na composição do personagem.

Acho importantíssimo o que uma novela das nove faz. O alcance é gigante e ela gera discussões onde não necessariamente ocorreria por pura falta de informação. Ela é popular e pode sim ajudar a desmistificar vários tabus. O bullying e a homofobia são problemas seríssimos em nosso país e no mundo. O Brasil infelizmente ainda é o campeão mundial de assassinatos na comunidade LGBTQ+ e precisamos sim falar sobre intolerância ainda mais num momento tão bélico e irracional.

AMAIS: Quais foram as referências estéticas para a criação do Adamastor Crawford?

Theodoro: Tantas… rs

Drácula do Gary Oldman dirigido pelo Francis Ford Coppola, Cruella Cruel de os 101 dálmatas interpretado pela Glenn Close, Gomez de Família Addams interpretado pelo Raul Julia, o dandy João do Rio, os filmes do Wes Anderson, a série American Horror Story Hotel e por aí vai.

AMAIS: Além dos trabalhos nas telas, você é figurinista e cenógrafo. Qual seu relacionamento com a moda e a direção de arte em geral?

Theodoro: Me formei em desenho industrial em projeto de produto em paralelo com artes cênicas. O povo do teatro sempre disse que eu deveria juntar as funções e fazer figurino e cenário pra teatro… comecei despretensiosamente e hoje fiz mais de 40!

Sempre amei arte e moda desde pequeno. Ia pequeno a museus com minha família e amava.

Minha lembrança mais antiga é minha mãe usando um vestido de paetê do estilista Markito, num estúdio branco e cantando, ou seja, já estava tudo lá! O figurino, o cenário e a performance rsrs.

Sempre fui um esteta, adoro a beleza em todas as formas e tento refletir isso no meu trabalho tanto de ator como diretor de arte.

AMAIS: Você é filho da jornalista, apresentadora, atriz, escritora, cantora e maravilhosa Marília Gabriela. Como é a Gabi mãe?

Theodoro: É ótima. Amiga, parceira, confidente. Somos muito parecidos e temos visões de mundo muito semelhantes. Às vezes fico até assustado pois nem precisamos perguntar uma coisa ao outro pois já sabemos as respostas.

AMAIS: Nos conte sobre seu gosto musical! Na sua bio no Instagram, tem uma playlist do Spotify que vai desde Radiohead a Portishead. O que anda escutando? Quais são suas bandas, artistas e gêneros favoritos? O que não pode faltar na discotecagem?

Theodoro: Tenho atualizado meu insta (@theocochrane 😜) e descobri que poderia mostrar um pouco de cada coisa que amo. Música é uma delas. Ando ouvindo muito Baco Exu do Blues no carro e músicas da rádio Alpha… tô nostálgico das românticas “chiques” dos anos 80 (tipo Brian Ferry), adoro The Weeknd, Drake, Anohni, James Blake, Gal Costa… são tantos.

Na minha discotecagem não pode faltar versões das músicas dos artistas pop que mencionei acima e um toque de disco que amo de paixão!

AMAIS: Como é a sua rotina fitness? Ficar sem não dá?

Minha rotina fitness é bem tradicional… tento fazer musculação de segunda a sexta e depois um aerobiozinho! Ficar sem não dá pra mim. Agora com 40 anos então, nem se fala. Gostaria de ter a alimentação mais regrada. Curto vestir as roupas e despir as roupas sem pudor e elegância.

Brincadeiras à parte, me cuido pra poder comer muito no final de semana e tomar uns drinques.

Rapidinhas:

Uma série inesquecível? Nip/Tuck

Rio de Janeiro ou São Paulo? São Paulo, mas o Rio tem sido generoso comigo.

Um lugar paradisíaco? Chapada Diamantina.

Um cheiro incrível? O cheiro de papel de revista nova gringa.

A melhor comida? Frango à parmegiana.

 


Entrevista por Hannalee Motta

Hannalee Motta

hanna@optimus360.com

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