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CSA, um caminho para adquirir alimentos orgânicos de forma justa e responsável.

CSA

Por Juliana Marin

O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos no mundo. Segundo estudo do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o cidadão brasileiro consome, em média, 7,5 litros de veneno por ano em consequência da utilização de agrotóxicos. No Rio Grande do Sul, este nível é ainda mais elevado, chegando a 8,3 litros.

Esses dados têm pouco significado se não sabemos o que esses produtos químicos podem afetar nossa saúde. O que já temos cientificamente comprovado é que certos agrotóxicos, como o glifosato, por exemplo, produto mais usado no Brasil, provoca em casos de toxicidade crônica: infertilidade, problemas neurológicos, desregulação endócrina (puberdade precoce), má formação congênita, alteração do sistema imune, inativação de enzimas (intolerâncias alimentares), mutação gênica e câncer. Uma infinidade de efeitos que certamente não queremos para nossa família.

Na audiência pública na qual estive presente em agosto do ano passado sobre a Exposição aos Agrotóxicos e seus agravantes à saúde e ao meio ambiente, cita o câncer como uma epidemia ambiental, fruto do envenenamento. Em meio a essa informação, o que devemos buscar para preservar nossa saúde e nossa adaptação a esse ambiente tão desfavorável, é uma nova forma de economia agrária que beneficia a terra, as plantas, os animais e a nós, seres humanos. CSA significa Comunidade que Sustenta a Agricultura, um movimento mundial que visa estreitar a relação do agricultor e o consumidor final. Dessa forma, incentivamos a agricultura familiar e diversificada, tão desvalorizada atualmente no Brasil, uma agricultura que cultiva alimentos frescos, saudáveis e que ao mesmo tempo protege e cuida da natureza.

CSA Orgânicos

Existem diversas CSAs pelo mundo, países como Alemanha, EUA, Canadá, França, Japão, Bélgica e Itália e muitas espalhadas pelo Brasil. Esse ano de 2017 será o nosso 3º ano de CSA Boituva. Sendo assim, a agricultura familiar é apoiada na cooperação do consumidor, transformando a realidade dessa família. Por isso somos chamados de co-agricultores e não consumidores, pois fazemos parte do planejamento de plantio, participamos de várias etapas desse processo, aceitamos os produtos da época, estabelecemos relações de amizade e assumimos um compromisso de parceria.

Dessa forma, o produtor sem a pressão do mercado e do preço, pode se dedicar de forma livre a sua produção. E nós, recebemos alimentos de qualidade, livre de qualquer produto químico, sabendo quem os cultiva e aonde são cultivados. Cada semana, a cesta contém em média de 7 a 12 itens entre diversas folhas, legumes, temperos, chás e frutas que variam segundo a sazonalidade. Com essa oferta, aprendemos a escutar mais a natureza e isso é fundamental para assegurarmos a soberania alimentar. Todos nós sabemos o quanto a monocultura compromete a cadeia alimentar, incentiva o desmatamento, usa excessivamente água e agrotóxicos afetando a biodiversidade e atingindo também a economia e a sociedade.

Ás vezes me pergunto, o que será de nós se não buscarmos um modo responsável de nos alimentarmos? O que nossos filhos e netos comerão senão incentivarmos agricultores a cultivarem de maneira ecológica e diversificada? Bom, pelo menos 3 itens já podemos garantir que teremos na nossa mesa no futuro: cana de açúcar, soja e eucalipto (ops não comemos eucaliptos!)

Fazer parte da CSA é uma maneira de trilharmos um novo caminho, uma oportunidade para o agricultor familiar e para nós de construir uma nova forma de relacionamento, de sair da cultura do preço para o apreço, de partilhar vivências e nos organizarmos para trazermos comida de verdade à nossa mesa.

“Agricultura é o fundamento de toda a cultura, ela tem algo a ver com todos”. Rudolf Steiner, 1924

Juliana Marin

julianampv@gmail.com

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