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Carne Fraca é mais um entre tantos outros ataques à segurança alimentar

Direito humano, a alimentação adequada com alimentos de qualidade é dever do Estado, que não monitora e nem fiscaliza. Cada vez menos saudáveis, alimentos são produzidos com agrotóxicos, transgênicos, muita gordura, açúcar, sal e aditivos.

Os escândalos envolvendo fraudes e adulterações na cadeia produtiva dos alimentos industrializados nos fazem repensar sobre o que estamos consumindo e a quem estamos beneficiando.

Notícias como, lotes de molho de tomate, sucos de caixinhas e leite apresentando substâncias nocivas ao consumo, como soda cáustica, água oxigenada, formol e até pelo de rato (acima do permitido…aff) estão sempre rodeando a imprensa. O que não se fala em outra coisa é sobre a Operação Carne Fraca que expôs uma rede de corrupção envolvendo frigoríficos e fiscais agropecuários para liberar produtos sem verificação, incluindo carnes impróprias ao consumo.

 

Quando lemos essas notícias, nos damos conta que esses alimentos fazem parte do nosso dia a dia, que somos o consumidor final de tanta manipulação e pagamos caro (em todos os sentidos) por isso.

Não é de hoje que o setor de produção de proteína animal, por sua natureza, influência política e forma de atuação, tem causado trabalho semelhante ao de escravo, super exploração e morte de operários em unidades de processamentos, violência contra populações tradicionais, crimes ambientais, roubo de terras públicas, contaminação de reservas de água, sofrimento desnecessário de animais. É inocência de nossa parte, pensar que empresas brasileiras atuam, necessariamente, em nome de um ”interesse nacional”. Embora elas fortaleçam o mercado econômico do Brasil e empregam milhares de pessoas, isso jamais pode ser a qualquer custo, passando por cima de tudo e todos.

Basicamente funciona assim: desenvolvimento a todo vapor para produzir e, assim, exportar, gerar divisas, pagar juros de empréstimos, para poder contrair mais empréstimos e investir na produção. Não sem antes destruir outro lugar e outra comunidade, que pode ser indígena, mas também ribeirinha, camponesa, caiçara ou mesmo moradores pobres das periferias das cidades. E ainda assim, vender carne ruim.

Assim anda funcionando nossa forma de produzir alimentos, gerando essa comida “barata” (barata por que é resto, é sobra de algo que se fez muito dinheiro). Essa é a comida que está deixando a nossa sociedade obesa e desnutrida, a nossa nova fome, gordos sem força, cansados e deprimidos, dependentes de um sistema perverso que, nos vende a ideia que comprar a comida pronta é melhor, mais digno, tem mais status e é mais pratico e mais barato do que cozinhar em casa. Essa é a comida que, mais do que nunca, está deixando milhões sem nada para comer, e essa é a comida que está acabando com a nossa terra e nossa água. Isso não é comida. Isso não é agricultura. Isso é agronegócio.

Momentos como este não são para apenas ficarmos chocados, mas sim para colocarmos  em prática uma nova relação com o alimento e com a indústria. Não podemos exigir apenas a certeza de que ninguém vá comprar comida imprópria para consumo, mas também que o seu próprio consumo não vá financiar crimes e irregularidades detectados na cadeia produtiva do alimento. O bife de carne à sua frente não é apenas o seu almoço. Nele, reside uma das maiores contradições de nosso tempo, crescer de forma sustentável e preservar a soberania alimentar.

Aliado a tanta informação, muitas vezes temos que desmistificar certas tradições alimentares e certos hábitos de anos para que possamos nos adaptar ao mundo de hoje e prosperar no futuro. Diminuir o consumo de proteína animal certamente é uma dessas ações. Dessa forma, diminuiremos devastações em florestas utilizadas para pecuária e produção de soja e milho transgênicos para ração animal, além de prevenirmos segundo a OMS, uma serie de doenças como câncer.

Podemos fazer algumas substituições por proteínas vegetais orgânicos como tofu, leguminosas, sementes, castanhas e cogumelos que quando combinados com grãos integrais melhoraram a biodisponibilidade tornando a refeição completa, nutritiva e segura.

 

Gilberto Sampaio

sampaio@revistaamais.com

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